Para Hollywood, tecnologia é um terror.

23 de junho de 2016

Cena de Horror, 2015

Ambição científica e avanços tecnológicos geralmente custam muitas vidas em filmes, o que faz com que muitas produções de terror ou ficção científica virem contos de advertência sobre os “perigos” da vida moderna.

Em #Horror (2015), o monstro é a mídia social: um jogo de cyberbulling leva a uma noite de brincadeiras mortais entre um grupo de meninas. A recepção da crítica foi gélida, mas a diretora Tara Subkoff tem um ponto: “… Quando você era intimidado na infância, sempre poderia ir para casa ou até mudar de escola. Agora o (cyber) bullying segue você até em casa e não há escapatória. Para mim, isso é terror. E para tantas meninas, isso é apenas a vida…”, disse em entrevista à revista Elle.

Lançado em 1992, Lawnmower Man, virou alvo de culto recentemente, quando o criador do Oculus Rift, Palmer Luckey, revelou que o filme serviu de inspiração para a invenção. O diretor da fita, Brett Leonard, se descreve como no Twitter como um “futurista”, mas na sua página no IMDB ele se parece mais com um cineasta de filmes B. A produção conta a história de Jobe (Jeff Fahey), um jardineiro com problemas mentais que vira cobaia em um estudo sobre realidade virtual. O experimento torna Jobe um “supergênio”, o que para os roteiristas do filme significa abrir pastas de dente sem usar as mãos ou matar os vizinhos com seu cortador de grama.

Às vezes, esses filmes demonstram os próprios temores de Hollywood. Em Pulse (2006), fantasmas assombram os vivos através da rede WI-Fi. Antes que você possa dizer: “remake de um filme de terror japonês”, o diretor Jim Sonzero acrescenta à premissa risível imagens ainda mais vazias. Não falta nem a patética cena do ataque na banheira de espuma. Aqui a habitual contagem de corpos é usada de forma panfletária para dizer: “Não baixe o filme, vá ao cinema!”.

Felizmente, a nova década chegou com abordagens menos esotéricas e mais críveis. Em Her (2013), de Spike Jonze, Joaquin Phonenix se apaixona por um sistema operacional (ou pela voz da Scarlett Johansson). A produção é bonita, poética e poupa os seus personagens (e o espectador) da punição moral no final.

Filmes como Lawnmower Man ou Pulse representam uma visão datada e cansada sobre a vida, onde o novo sempre representa uma ameaça, pois bate de frente com valores tradicionais, estampados em jargões como “na minha época era melhor”. Enquanto “Her” ou “#Horror”, sintetizam (para o bem ou para o mal) o espírito atual, onde não se sabe onde termina a tecnologia e começa a vida.

Lucas Pinheiro é redator da 9 e cinéfilo.