Stranger Things: uma série que te faz sentir

27 de julho de 2016

stranger things

Eu sou a pessoa que, certa vez, em uma dessas dinâmicas de grupo patéticas, disse que o personagem do cinema que mais representava a minha personalidade era a “tenente Ripley”. Eu assisti a TODOS os filmes da Winona Ryder, inclusive um feito para TV que contava a história do AA. Eu elegeria facilmente a cena final de “The Thing”, como uma das mais bonitas e poéticas da história do cinema.

Então, é claro, que muitos dos “algoritmos” que o Netflix usou para compor a sua nova série “Stranger Things”, vão atingir o meu coração antes mesmo que um alien possa se libertar do seu hospedeiro humano. É “uma série que te faz sentir”, como diriam aquelas chamadas cafonas que passavam antigamente no Warner Channel. Mas eu também questionei até que ponto ela abraçou a ideia de ser uma colagem de filmes dos anos 80, em detrimento de uma visão própria do mundo.

Não que exista muita originalidade em Hollywood atualmente, mas em American Horror History, por exemplo, clichês de filmes de terror, como casas assombradas, bruxaria e aberrações circenses, servem para ilustrar o que a sociedade possui de mais assustador na atualidade, como a violência nas escolas e o culto à celebridade.

Já “Stranger Things” renega deliberadamente qualquer ressonância atual, portanto não tenha dúvidas que o valentão da escola vai derrubar a câmera fotográfica do colega nerd no chão e que a menina com poderes telecinéticos vai ter um sangramento nasal toda vez que recorrer a sua habilidade.

Mas isso está longe de rebaixar a série a uma mera confraria de espectadores nostálgicos. Com tantos cineastas atuais revisitando incessantemente a obra de John Carpenter e os filmes iniciais de Steven Spielberg, é de se perguntar se essas referências são tão datadas como nós gostamos de pensar.

E é aí que, ironicamente, reside o toque original de Stranger Things: ser um “copy+paste” assumido, em uma época em que tantas antiguidades tentam se passar por novidades.

Lucas Pinheiro é redator da 9 e cinéfilo.